ENTREVISTADO DO MÊS – Armandinho, por ele mesmo

Mesmo sendo reconhecidamente o maior e mais forte Estado do Norte e Nordeste na prática do Futebol de Mesa, Pernambuco ainda se arrasta neste esporte.

Vendo outros Estados, que começaram a praticar as modalidades Oficiais estando em crescimento superior, tentarei esplicar por que Pernambuco não consegue deslanchar, levando em conta o excelente potencial de botonistas existentes, devidamente comprovado e reconhecido em todo Brasil pelas belas campanhas nas competições Nacionais.

Pela minha experiência de 40 anos de jogo de Botão no Estado, e 21 anos disputando competições Nacionais em várias regras, segue esta entrevista na qual procuro apenas responder e dar minha opinião sobre as principais perguntas que costumeiramente me são feitas.

O América deverá ser o próximo clube a se filair a FPFM

O América deverá ser o próximo clube a se filair a FPFM

Nome : Armando Francisco da Silva Filho – Armandinho

E-mail: Armandinho@terra.com.br

Contato :  81- 9146.2605

Federação :  Pernambucana de Futebol de Mesa

Regra que pratica : 12 toques

Nome do time em que costuma jogar :  Barcelona

Time de futebol de coração : Santa Cruz

Entrevista

1. Armandinho, muitos vão estranhar essa entrevista, por que fazer uma entrevista com você mesmo?

Res. Na verdade não se trata de uma entrevista comigo mesmo, é que em Pernambuco o Futebol de Mesa não tem nenhuma atenção da mídia sendo assim pouco divulgado, como tenho em mãos este meio de comunicação, pensei em responder algumas perguntas que sempre me são feitas e, eu sendo um dos que estão à frente da FPFM nunca tive oportunidade de externar, esplicando como e porque o Jogo de botão é tão pouco conhecido e reconhecido no Estado, embora seja tão bem representado em todo País.

2. O Futebol de Mesa tem crescido muito, qual sua opinião sobre ele em Pernambuco?

Res. Realmente ele cresceu muito, porém aqui em Pernambuco continua engatinhando.

3. Para você qual o motivo desse pequeno crescimento no Estado, em relação aos outros?

Res. Acredito que foi a importação das regras, nenhuma das três regras oficiais, Baiana de 1 Toque, Carioca (Confederada) de 2/3 Toques e Paulista de 12 Toques representava a tradição do jogo de Botão em Pernambuco. Quando comecei a jogar botão na década de 60, em todos os locais do Estado se jogava a Regra “Leva-Leva” que é uma regra um pouco parecida com a de 12 Toques.

Basicamente se jogava assim em qualquer local com variações mínimas, dependendo de quem organizava as competições.

4. Sim, mas se pratica hoje em Pernambuco só as Regras Oficiais ou ainda perdura essa tradição da Regra Leva- Leva?

Res. Aqui em Recife ainda tem núcleos de botonistas jogando Leva-Leva em versão um pouco atualizada isso devido à adesão de alguns jogadores à Regra 12 Toques, eu inclusive, conseguimos implantar esta quantidade de toques no Leva-Leva.

5.  Sim, mas se esta regra é parecida com a Oficial de 12 toques por que não atrai mais adeptos da regra “Leva-Leva para a Regra Oficial?

Res. Principalmente por causa dos botões, a regra Leva-Leva, que já foi apelidada de “Fogo Tebei” é jogada em campo bem maior, com botões também muito maiores.

Saliento que são botões muito bonitos e feitos por um excelente fabricante aqui de Recife. Sendo assim muitos tradicionalistas, que tem esses tipos de botões, não querem deixar de jogar com eles e seus padrões ferem frontalmente aos exigidos na Regra oficial de 12 Toques.

6.  E com relação às três regras oficiais, existem conflitos ou elas são jogadas normalmente no Estado.

Res. Na verdade no Estado se jogam as três regras, mas como relatei no início, a entrada das regras oficiais se deu de maneira casual e por insistência de botonistas que, por terem jogado em outro Estado, as trouxeram para Pernambuco. Hoje as Regras oficiais são praticadas em Clubes e Associações diferentes e sem conflito.

7. E então, como as regras oficiais entraram em Pernambuco e como são praticadas hoje em dia.

Res. Quando foi fundada a FPFM, na década de 80, tínhamos um jornalista de bastante prestígio em Recife chamado Ivan Lima que veio da Bahia e como tinha a mídia a sua disposição conseguiu implantar a Regra Baiana em Recife embora ela fosse totalmente diferente do que se jogava aqui.

Não considero que houve crescimento nesta Regra de 1 Toque, tanto que mesmo nestes 30 anos realizando competições Interestaduais e participando de competições nacionais, ela é praticada em apenas um clube amador não tendo nem 30 botonistas.

8.  Sim, e as outras duas regras?

Res. A Regra Confederada 2/3 Toques não sei com ela começou, eu que jogava a Regra Pernambucana, que não é oficial, conheci a Regra Confederada na AABB Recife, que era um dos clubes que fundaram a FPFM, comecei a jogá-la ingressando na Federação em final dos anos 80.

Coincidentemente, em uma viagem a trabalho para São Paulo, fui convocado para disputar o primeiro Campeonato Brasileiro da Regra 12 Toques, por ser filiado a FPFM e a competição acontecer no mesmo período em que ficaria lá. Gostei e fiquei jogando a Regra até hoje.

9. Então você é um dos “importadores” de Regra para Pernambuco e consequentemente responsável pela implantação de uma Regra que é conflitante com as tradições do jogo de Botão no Estado?

Res. Realmente fui eu que implantei a Regra Oficial 12 Toques em Recife, assim que a conheci em São Paulo achei muito parecida com as que eram jogadas aqui.

Quando criança jogava o Leva- Leva e acreditava que fazendo algumas adaptações poderia atrair esses botonistas para a Regra Oficial de 12 Toques, afinal não seria tanto conflito assim, tanto que hoje em dia os núcleos tradicionais que conheço não se joga o Leva- Leva como antigamente (com o nº de toque à vontade), mas no limite dos 12 toques como na Regra Oficial.

Mas, ratificando o que falei anteriormente, os modelos e tamanho dos botões ainda é o maior empecilho.

10.     Mas você procurou esses núcleos, o que fez para atrair os botonistas para a Regra Oficial Brasileira de 12 Toques?

Res. Eu procurei alguns importantes locais onde se jogava e joga até hoje, a regra Leva- Leva, mostrei a vantagem de se jogar em Regra Oficial, o intercâmbio, salientando que a mudança seria pouca em relação à Regra, apenas modificaríamos os botões e tamanho dos campos e barras, já que a bolinha era a mesma.

Cheguei a disputar campeonatos com eles, na regra deles, mesmo assim só consegui trazer alguns botonistas para a Regra Oficial e estão conosco na Federação até hoje.

Acredito que, pelo potencial de alguns jogadores desses núcleos independentes, se todos viessem se agregar a Regra de 12 Toques, com certeza ficaríamos mais fortes.

11.     Você citou a Regra Pernambucana ainda a pouco, ela é a Leva – Leva?

Res. Não, essa Regra talvez seja uma das mais antigas do Estado, para mim é uma das melhores ou se não for a melhor e mais difícil regra, comecei a praticá-la na minha juventude e foi lá que aprendi a jogar.

Nesta Regra não dava pra fazer pequenas adaptações como a Leva-Leva, mesmo assim ainda consegui convencer aos adeptos implantar parte da Regra Oficial de 12 Toques, como, por exemplo, a quantidade de Toques e o campo.

A Regra foi considerada Pernambucana por ter sido registrada e ter uma turma forte e organizada, porém, a meu ver, em longo prazo ela se extinguirá, pela dificuldade, falta de intercâmbio e estar restrita a um pequeno grupo de poder absoluto, em um único local de Recife e com menos de 30 jogadores.

12.     Finalmente, em Pernambuco quantos núcleos são filiados a Federação Pernambucana e praticam as Regras Oficiais?

Res. Quando a FPFM foi criada em 1986, foram fundadores cinco Clubes, o Santa Cruz, o Sport, a AABB Recife, o Clube dos Correios e a Clube do Ginásio de Esportes Geraldão.

Destes, atualmente apenas a AABB Recife e o Sport estão praticando o Futebol de Mesa e na Regra 12 Toques.

O Santa Cruz está licenciado e o Geraldão e os Correios se desligaram.

Nestes últimos anos conseguimos a adesão do Clube CHESF, Náutico, Liga Jardim Brasil e AABB Caruaru.

A CHESF e o Náutico estão sem praticar o esporte, mas temos a Liga Jardim Brasil e a AABB Caruaru bastante fortes e atuantes, todos jogando 12 Toques.

Sei que o Clube Ferroviário também pratica o Futebol de Mesa, único na Regra de 1 Toque, mas acho que ainda não está devidamente regularizado na FPFM.

Quanto a Regra Confederada – 2/3 Toques, acredito que só está sendo praticada na cidade de Moreno, interior de Pernambuco, mesmo assim não tem clube algum filiado a FPFM e devidamente cadastrado.

13.     O que você acha que pode fazer para fazer crescer o Futebol de Mesa em Pernambuco?

Res. O fortalecimento dos clubes, jogando qualquer das Regras Oficiais, principalmente dos grandes clubes de Futebol.

Se tivéssemos a volta do Náutico e do Santa Cruz e um apoio de alguém ligado a mídia que gostasse do Futebol de Mesa e ajudasse a divulgar certamente teríamos um crescimento como aconteceu no Rio de Janeiro, por exemplo.

Neste momento estou em processo de implantação do Departamento Amador de Futebol de Mesa no América Futebol Clube, este Clube é bastante conhecido e tradicional no Estado e está retornando a 1ª divisão do Futebol Pernambucano depois de muitos anos.

Espero dentro de pouco tempo ter mais um núcleo de Futebol de Mesa no Estado.

14.     Que mais gostaria que acontecesse de modo a melhorar o Futebol de Mesa em Pernambuco.

Res. Que as pessoas que gostam do jogo de botão, não só em Pernambuco, mas em qualquer local do Brasil independente da Regra e tipo de modalidade que pratiquem, procurem as Federações ou clubes filiados.

Sempre que participo das competições Nacionais e tenho contato com as pessoas diretamente envolvidas no Futebol de Mesa, sinto a boa vontade e a receptividade de todos dirigentes em receber de braços abertos as pessoas que desejam ingressar neste Esporte que para mim até hoje só ampliou a relação de amigos.

Sobre o autor

Armandinho joga botão há mais de 45 anos. Disputou quase todos os Campeonatos Brasileiros individuais da Regra oficial de 12 Toques realizados em vários Estados Brasileiros e foi Campeão Pernambucano em todas as Regras que disputou. É o Presidente do RECIFE ARENA - Clube Armandinho de Futmesa